De quase tudo um quase nada

junho 23, 2008

Auto-conhecimento

Arquivado em: Krishnamurti — by lywpop @ 7:37 pm
Ignorante não é aquele que não tem instrução mas sim o que não possui auto-conhecimento. Do mesmo modo o letrado torna-se estúpido ao buscar a compreensão na autoridade e o saber dos livros. A compreensão sucede unicamente por via do auto-conhecimento, o que representa  o conhecimento da totalidade do nosso “processo” psicológico. Desse modo, o verdadeiro sentido da educação consiste na auto-compreensão porquanto todo o indivíduo reúne a totalidade da existência.
[Krishnamurti in Education and The Significance of Life (1953)]

junho 13, 2008

O caso de Dom Quixote

Arquivado em: Psicologia — by lywpop @ 2:19 pm

 

O caso de Dom Quixote  

A obra de cervantes, escrita há 400 anos, mantém-se um desafio tanto para médicos quanto para psicanalistas.

 
por Moacyr Scliar
Este ano assinala o quarto centenário de El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha, ou simplesmente Dom Quixote. Sua vasta influência em nossa cultura só é superada pela Bíblia em número de traduções. O autor, Miguel de Cervantes Saavedra, satirizava os romances de cavalaria então muito populares. O protagonista, o já idoso Alonso Quijano, torna-se cavaleiro, cavalga o esquelético Rocinante acompanhado do escudeiro Sancho Pança. Percorre os caminhos da Andaluzia em busca de aventuras. E aí luta com moinhos de vento pensando que são gigantes, corteja uma aldeã como se ela fosse a dama Dulcinéia del Toboso, e vê em prostitutas belas donzelas.Era Dom Quixote maluco, e, se era, de que doença mental padecia? A pergunta se justifica. Cervantes era filho de médico e sem dúvida familiarizado com enfermidades. Thomas Sydenham, médico do século XVII conhecido como o Hipócrates inglês, dizia que Dom Quixote era um grande tratado médico, e de fato não são poucas as doenças ali mencionadas: sífilis, lepra, problemas intestinais. Quixote prescreve remédios vegetais e acredita sobretudo no que chama de bálsamo de Ferrabrás. Também recomenda, como era comum à época, a sangria como tratamento para a pletora, o excesso de sangue. Prevalecia então a teoria humoral, segundo a qual os distúrbios mentais eram resultado do desequilíbrio dos chamados humores. Dom Quixote era um melancólico; teria excesso de bile negra.Mas ele tinha também ataques de fúria, que resultariam da bile amarela (na linguagem de hoje, seria um bipolar). No século XVIII um novo termo será empregado: monomania, caracterizada por idéias obsessivas e fantasiosas. Jean Ettienne Esquirol, sucessor de Pinel, concordava com seu diagnóstico e observava que a monomania na Europa tornara-se muito comum após as Cruzadas.A nomenclatura mudou de novo e, no começo do século XX, Quixote era diagnosticado como portador de paranóia crônica, ou seja, mania de perseguição, mas com um componente de megalomania. O médico alemão Ernst Krestchmer tratava de correlacionar o tipo físico com a doença mental. Magro e alto, Quixote seria um esquizotímico, um introvertido sujeito a delírios. Eram tantos os diagnósticos, que surgiram os “cervantistas”, médicos que estudavam o Cavaleiro da Triste Figura. 

A eles juntaram-se, no início do século XX, os psicanalistas. Freud era um grande admirador de Cervantes e chegou a aprender espanhol para ler a obra. Fascinavam-no sobretudo os diálogos entre Quixote e Sancho, entre a fantasia e a realidade. Naquele momento de sua vida Freud estava empenhado na tarefa – em certa medida quixotesca – de consolidar a psicanálise como terapêutica e como corrente de pensamento. Esse interesse de Freud teria repercussões no Brasil, onde, no início dos anos 20, foi fundada a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, graças a Francisco Franco da Rocha e Durval Marcondes. Com este último, Freud pôde corresponder-se – devido ao conhecimento do espanhol.
A obra de Cervantes é um desafio para a psicanálise. Em Madness and lust (Loucura e desejo) a psicanalista Carroll B. Johnson conclui que Dom Quixote tem desejos sexuais reprimidos resultantes da convivência com a jovem sobrinha. Para defender-se da tentação ele refugia-se na imagem idealizada de Dulcinéia.
O paradigma que Dom Quixote representa continua bem vivo. Todo utópico é um quixotesco. Em que medida isto é elogio, em que medida é diagnóstico, continua sendo discutido. O certo é que, deitado no divã, Dom Quixote faria as delícias de muitos analistas. Desde que não atacasse o ventilador de teto, claro.

Auto-estima

Arquivado em: Psicologia — by lywpop @ 1:17 pm
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Eu, meu melhor amigo

http://veja.abril.com.br/040707/p_076.shtml

A auto-estima é a melhor aliada do sucesso na vida pessoal e profissional. Não há idade-limite para conquistá-la: 

 

1 PAUL CÉZANNE (1839-1906)
O pintor francês teve seus quadros rejeitados no Salão Oficial de Paris e foi motivo de chacota entre os críticos durante anos, mas não se deixou abater. “Eu sou um marco na arte”, costumava dizer. Tinha razão.

2 WALT WHITMAN
(1819-1892) O poeta americano enaltece a si próprio em sua obra-prima Folhas de Relva. “Eu celebro a mim mesmo / E o que assumo você vai assumir / Pois cada átomo que pertence a mim pertence a você”, proclamou.

3 TINA TURNER
A cantora apanhou do marido, Ike Turner, durante quase duas décadas até que um dia se convenceu do próprio valor, achou-se capaz de mudar de vida e seguiu carreira-solo.

4 ALEXANDRE, O GRANDE
O imperador se considerava um deus. Comparava suas conquistas e realizações com as de personagens da mitologia grega, como Hércules e Dionísio,
o deus do vinho.

5 LEWIS HAMILTON
Aos 10 anos de idade, ainda piloto de kart, o jovem inglês se apresentou ao chefão da McLaren, Ron Dennis, e disse que um dia ainda faria parte da escuderia. Agora, em sua estréia na Fórmula 1, já é considerado um fenômeno nas pistas.

6 MICHEL DE MONTAIGNE
Em Ensaios, o filósofo francês sugere como superar o sentimento de desconforto com o próprio corpo, a sensação de que se é pouco inteligente e o sentimento de inadequação quando algum comportamento é desaprovado pelos outros. “A pior desgraça para nós é desdenhar aquilo que somos”, escreveu.

7 COCO CHANEL
A estilista desafiou a sociedade do início do século XX ao apostar na originalidade de suas roupas. “As pessoas costumavam rir da forma como eu me vestia”, dizia ela. “Mas esse era o segredo do meu sucesso. Eu não era parecida com ninguém.”

junho 1, 2008

Eneagrama

Arquivado em: Eneagrama — by lywpop @ 2:27 am
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O Eneagrama (do grego Ennea = nove e grammos = figura ou desenho) é um antigo sistema de sabedoria, criado há cerca de 2500 anos (autores situam sua origem entre 3.500 e 2.000 anos atrás), provavelmente no Egito. Seu conhecimento foi mantido sigiloso durante muitos séculos.

Fiz um dos vários testes do eneagrama (clique aqui) e obtive o seguinte resultado:

Tipo UM = 1
Tipo DOIS = 1
Tipo TRÊS = 4
Tipo QUATRO = 0
Tipo CINCO = 1
Tipo SEIS = 1
Tipo SETE = 3
Tipo OITO = 2
Tipo NOVE = 2

Traduzindo, o tipo 3 mostrou-se mais acentuado para mim (assinalei-o 4 vezes). Para conhecer as características de cada personalidade, basta clicar nos tipos acima.

No teste da Revista Você SA o resultado foi “o epicurista”…

“Conhece-te a ti mesmo” é a recomendação sublime. O eneagrama, assim como o pathwork, a logoterapia e o yoga, dentre várias outras, podem ser valiosas ferramentas…

Viktor Frankl

Arquivado em: Psicologia — by lywpop @ 2:03 am
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Viktor Emil Frankl, nasceu em Viena em 26 de março de 1905 e morreu em 02 de setembro de 1997.

Doutor em medicina e psiquiatria e “doutor honoris causa” em diversas universidades do mundo inteiro, inclusive na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Foi professor de Neurologia e psiquiatria na Universidade de Viena e de Logoterapia na Universidade Federal da Califórnia. Foi nos Estados Unidos,onde também lecionou como professor visitante nas Universidades de Harvard, Dallas e Pittsburg, que sua figura atingiu celebridade, apesar de suas teses contrariarem as correntes psicanalíticas dominantes ai. Como conferencista viajou por muitos países e esteve no Brasil em 1984 (Porto Alegre), 1986 (Rio de Janeiro) e 1987 (Brasília).

Durante a guerra, observou a si mesmo e a outros em situações limite nos campos de extermínio nazistas, seu “experimentum crucis”, e comprovou a essência do que é ser humano: numa situação desumanizadora, usar a capacidade de transcender e manter a liberdade interior.

Foi considerado o médico da “doença do século XX”, decorrente do vazio existencial. Afirmou que “o homem, pôr força de sua dimensão espiritual pode encontrar sentido em cada situação da vida e dar-lhe uma resposta adequada”.

A vida e a obra de Viktor E. Frankl é uma seqüência de fatos que se desencadeiam em um testemunho inquestionável do poder desafiador do espirito. Nos mostra como se pode viver humanamente se a busca de sentido é “resolvida”. Viktor E. Frankl coloca que a busca de sentido é uma exata e precisa definição da natureza humana.

Escreveu cerca de 30 livros traduzidos em mais de 28 línguas, inclusive japonês, chinês e russo.

Atualmente existem institutos Frankl de Logoterapia na Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, Israel, Itália, Peru, Porto Rico, África do Sul, Suécia e Estados Unidos.  (Sobral) 

O Menino da Sua Mãe

Arquivado em: Fernando Pessoa, Poesia — by lywpop @ 1:48 am

NO PLAINO abandonado 
Que a morta brisa aquece, 
De balas traspassado 
- Duas, de lado a lado -, 
Jaz morto, e arrefece. 

Raia-lhe a farda o sangue. 
De braços estendidos, 
Alvo, louro, exangue, 
Fita com olhar langue 
E cego os céus perdidos. 

Tão jovem! que jovem era! 
(Agora que idade tem?) 
Filho único, a mãe lhe dera 
Um nome e o mantivera: 
“O menino da sua mãe”. 

Caiu-lhe da algibeira 
A cigarreira breve. 
Dera-lhe a mãe. Está inteira 
E boa a cigarreira. 
Ele é que já não serve. 

De outra algibeira, alada 
Ponta a roçar o solo, 
A brancura embainhada 
De um lenço… Deu-lho a criada 
Velha que o trouxe ao colo. 

Lá longe, em casa, há a prece: 
“Que volte cedo, e bem!” 
(Malhas que o Império tece!) 
Jaz morto, e apodrece, 
O menino da sua mãe.

Citações

Arquivado em: Citações — by lywpop @ 1:32 am

 

maio 30, 2008

A letra mata; o espírito, no entanto, vivifica.

Arquivado em: Evangelho — by lywpop @ 9:26 pm
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Na segunda carta aos Coríntios, Paulo assim recomenda: “E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito (non littera, sed spiritu); porque a letra mata e o espírito vivifica.”

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